Às vezes, tudo o que precisamos fazer é nos deixar para trás...
"Depois de anos tentando deixar o passado para trás, finalmente eu percebi que quem eu tenho que deixar para trás sou eu. O meu eu antigo, o meu eu inocente que injustamente foi ferido, despedaçado.
Já faz sete anos que tudo aconteceu, já faz seis que eu tento me curar e me reerguer. Eu deixei pessoas para trás, lugares, hábitos, deixei até a depressão pra trás, mas o trauma continuou, as memórias e os ressentimentos.
Eu nunca consegui entender porque eu continuava sofrendo, lembrando constantemente de coisas da minha adolescência. Eu, uma mulher adulta, cuidando da minha vida adulta, tentando ser madura, estudando, trabalhando, continuava sendo abalada por sentimentos de raiva, injustiça, mágoa, ressentimento, tristeza, insegurança. Eu queria dar o troco, mostrar como eu sou melhor do que eles imaginavam, mostrar que eu me tornei um ser incrível.
Mas o que eu quero mesmo é seguir em frente, entrar em um novo ciclo, em um novo mundo, viver uma nova vida. Uma vida feliz. Então, eu entendi que eu não conseguia deixar tudo aquilo para trás porque eu não conseguia me deixar pra trás.
Todas aquelas memórias, todos aqueles sentimentos e todos aqueles tormentos foram vividos pelo meu eu do passado. Um eu ao qual me agarro porque tento curar, porque tento em vão remendar suas assas. Me agarro porque me amo, a amo.
Aquela Aipim adolescente foi minha versão mais forte até então, foi ela quem tomou as decisões mais difíceis, que passou pelos piores tormentos. Foi ela quem se manteve no limiar da (in)sanidade. Se não fosse por ela, se ela não tivesse resistido, lutado, aguentado até o fim, eu não estaria aqui. Se ela não tivesse amarrado seus demônios, não tivesse cortado relacionamentos, se não tivesse tentado mudar, melhorar, se cuidar, nós teríamos definhado até a morte.
É sempre difícil deixar para trás quem a gente ama. Eu sei que ela sempre vai ser eu, sempre vai ser parte de mim, a história dela é minha também. E eu te agradeço, Aipim adolescente, por ter sobrevivido e lutado bravamente. Nós saímos vitoriosas do campo de guerra e você finalmente chegou em casa, depois de tantos anos procurando o caminho.
| #PraCegoVer essa imagem possui recurso de texto alternativo. |
Agora entre. Sente e descanse. O seu ciclo acabou. Eu vou te guardar num potinho lindo de vidro. Porque outra Aipim precisa ser criada. Uma nova, diferente de tudo que eu já fui. Obrigada por tudo, te amo."
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Reli esse texto hoje. Nem lembrava muito bem o que iria encontrar escrito, mas algo na minha mente me dizia para relê-lo. Estava me sentindo meio borocoxô, aliás, tenho me sentido nos últimos tempos. A insegurança bate e eu me pergunto se realmente sou alguém interessante, será que vale a pena alguém querer me conhecer?
Eu sou, assim como qualquer outra pessoa, como uma TARDIS, muito maior por dentro. Assim como qualquer outra pessoa, eu tenho um universo inteiro dentro de mim. Mas irá alguém um dia querer conhecê-lo? Sim, estou sofrendo de paixonite aguda grave não correspondida. Precisava me lembrar que dentro desse corpinho minúsculo habita uma criatura mágica forte e incrível. Lembrei.
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